O vereador William Alemão (Cidadania) decidiu adotar uma velha estratégia na tentativa de reeleição para a Câmara Municipal de Manaus (CMM). A narrativa moralizadora em sua campanha política busca o posicionar como um combatente das regalias e excessos no poder público, conforme demonstrado nos recentes materiais de campanha.
Alemão recorre a frases como "lobos em pele de cordeiro", sugerindo que se mantém firme em sua postura "antisistema" e defensor da moralidade na política. No entanto, essa imagem construída nas redes sociais e nos palanques eleitorais parece contradizer suas ações dentro da CMM. Em 2021, apenas um ano após prometer em sua campanha combater os privilégios dos vereadores, Alemão votou a favor de um aumento de 83% no 'Cotão' parlamentar, o recurso destinado a despesas dos gabinetes.
Na sessão do dia 15 de setembro de 2021, os vereadores aprovaram uma medida que elevou o valor do Cotão de R$ 18 mil para R$ 33 mil, quase 100% de aumento. À época, dos 41 parlamentares da Casa, apenas quatro votaram contra a medida: Amom Mandel, Raiff Matos, Carpê Andrade e Rodrigo Guedes. William Alemão, que havia se comprometido em sua campanha de 2020 a lutar contra tais "regalias", optou pelo silêncio durante a votação, se posicionando a favor do aumento.
Gastos excessivos
Em uma matéria do mês de junho deste ano, o FISCALIZA MANAUS revelou que o vereador havia gasto R$ 50 mil em combustíveis nos últimos três meses. Com a repercussão do caso, William recebeu nas redes sociais uma enxurrada de críticas dos cidadãos manauaras, que o questionaram sobre as justificativas para os gastos exorbitantes.
Além de responder aos eleitores com uma resposta pronta e automatizada, o vereador apelou para o clichê de criticar o veículo de comunicação que expôs o gasto com combustível, o qual poderia levar o político a dar duas voltas e meia pela Terra.
Essa incoerência entre o discurso adotado em suas campanhas e suas ações efetivas como legislador alimenta críticas de que seu comportamento no plenário não reflete as promessas feitas aos eleitores durante a campanha eleitoral.