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30/08/2024

Terras indígenas estão no foco das queimadas na Amazônia

De janeiro a agosto de 2024, terras indígenas no Brasil têm sido o epicentro de um aumento significativo nos focos de calor, de acordo com um recente relatório do Greenpeace Brasil. No período analisado, foram registrados 12.335 focos de calor em 300 terras indígenas, o que representa 11% do total nacional. Esses focos de calor, que podem resultar em queimadas ou incêndios, estão concentrados em áreas degradadas e consolidadas como pastagem, refletindo uma tendência preocupante.

Os dados foram obtidos a partir de imagens de satélite dos sistemas Aqua (M-T), Sentinel-2 e Planet, além de análises do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ). A informação revela que, entre 1º de janeiro e 26 de agosto de 2024, o Brasil registrou 3.549 focos de calor em terras indígenas na Amazônia, enquanto o Cerrado e o Pantanal também foram severamente afetados.

O Cerrado é a região mais atingida em termos de área queimada, com 1.731.950 hectares destruídos pelo fogo. A Amazônia segue com 533.575 hectares afetados e o Pantanal com 366.975 hectares queimados. A Terra Indígena Kadiwéu, localizada no Mato Grosso do Sul e abrangendo os biomas Cerrado e Pantanal, foi a mais atingida, com 1.256 focos de calor, principalmente nos meses de junho, julho e agosto.

Jorge Eduardo Dantas, coordenador da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, destacou a gravidade da situação. "A atual temporada de fogo ameaça territórios originários em todos os biomas, não somente na Amazônia. Como se não bastassem problemas históricos associados às terras indígenas, como invasores, grileiros e garimpeiros, esses territórios também são vítimas dos incêndios criminosos", afirmou.

O território indígena Kayapó, no Pará, é o mais afetado na Amazônia, com 787 focos registrados, sendo 704 apenas no mês de agosto, que ainda não está completo. Este aumento dramático nos focos de calor é uma continuação de uma tendência alarmante observada no país.

Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve um crescimento de 105% no número de focos de calor em agosto de 2024, saltando de 28.056 para 57.528. O Greenpeace Brasil destacou uma preocupação particular com o Pantanal, onde os focos de calor cresceram impressionantes 3.509% em comparação com 2023. No Cerrado, o aumento foi de 133%, e também foram observados aumentos significativos na Mata Atlântica (119%) e na Amazônia (79%).
 
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