Após uma audiência no Senado Federal, o senador amazonense Plínio Valério (PSDB) criticou duramente a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, acusando-a de favorecer Organizações Não Governamentais (ONGs) em detrimento do desenvolvimento da infraestrutura na Amazônia. Segundo Valério, as decisões da ministra não são técnicas, mas sim orientadas para beneficiar ONGs, prejudicando a continuidade das obras de asfaltamento da BR-319, rodovia que conecta Manaus ao restante do país.
Valério declarou que Marina Silva age como uma "marionete" das ONGs, criando obstáculos desnecessários que atrasam a pavimentação da rodovia e mantêm a região isolada. "Inventam estudos, impõem exigências e fazem cobranças, tudo com o intuito de atrasar o asfaltamento da BR-319", afirmou o senador.
Durante a audiência, que ocorreu nesta quarta-feira (4) na Comissão de Meio Ambiente presidida pela senadora Leila Barros (PDT-DF), Marina Silva defendeu que a liberação das obras na BR-319 depende de um "parecer técnico" e não de seu ministério. Contudo, para Valério, essa declaração é uma evidência clara de que a ministra está alinhada com os interesses de ONGs internacionais que, segundo ele, têm como objetivo manter a Amazônia isolada.
O senador também fez questão de lembrar que Marina Silva é conselheira honorária do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), uma ONG que foi investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito das ONGs em 2023. Valério destacou um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que revelou que, em 2022, o IPAM recebeu R$ 35,9 milhões, dos quais R$ 18,2 milhões foram destinados à folha de pagamento dos funcionários da ONG.
Marina Silva, por sua vez, afirmou durante a audiência que a licença para a continuação das obras na BR-319 foi emitida de forma irregular durante o governo Bolsonaro e que a Justiça já cassou essa autorização por desconsiderar a opinião dos técnicos. A ministra defendeu que será feita uma avaliação estratégica da BR-319 em conjunto com o Ministério dos Transportes, comandado por Renan Filho, para garantir que a obra siga critérios técnicos adequados.