Após quatro meses de estiagem severa, o rio Negro, em Manaus, apresentou um pequeno aumento em seu nível, subindo dois centímetros entre domingo (13) e segunda-feira (14), atingindo 12,13 metros. Esse fenômeno, conhecido como "repiquete", indica uma breve recuperação das águas, mas não marca o fim definitivo da seca. O repiquete é caracterizado pela oscilação no nível do rio, com uma leve cheia antes de retornar à seca.
Especialistas, como o geógrafo José Alberto Lima de Carvalho, explicam que esse fenômeno é comum nesta época do ano e foi observado em anos anteriores. Em 2023, o repiquete ocorreu em outubro, quando o rio Negro subiu 52 centímetros antes de voltar a baixar. No entanto, a cheia mais significativa só ocorreu semanas depois.
A bacia amazônica, a maior do mundo, é marcada pela complexidade de seus regimes hidrológicos, com variações entre os afluentes que alimentam o Amazonas. Essa dinâmica também afeta o rio Amazonas, cuja última medição, feita pela Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia, indica uma estabilização após 119 dias de seca.
Ainda que a atual estabilização dos rios seja um sinal positivo, especialistas como o meteorologista Willy Hagi alertam que a estiagem ainda não terminou. As previsões indicam chuvas para a segunda quinzena de outubro, mas o impacto completo do fenômeno El Niño e a possibilidade de um futuro La Niña, que traria mais chuvas, permanecem incertos.
*Com informações de A Crítica