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01/11/2024

Rio Negro recua em meio a chuvas irregulares até dezembro

Apesar da chegada do período de chuvas, o Rio Negro tem demonstrado uma surpreendente vazante nos últimos dias. Nesta quinta-feira (31), o fenômeno conhecido como “repiquete” – um breve aumento no nível das águas após uma vazante – resultou em uma nova descida de 3 centímetros, com a cota atingindo 12,18 metros.

Desde o dia 9 de outubro, quando o Rio Negro alcançou a maior vazante já registrada, com 12,11 metros, o nível das águas passou por uma rápida oscilação. Em 24 de outubro, houve um aumento significativo, chegando a 12,50 metros, mas, em seguida, o nível recuou em 32 centímetros. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) prevê que o repique comece a estabilizar em dezembro.

“A tendência é que o nível permaneça nessa cota até o próximo mês, com a expectativa de uma nova elevação, embora abaixo da cota 16 até o Natal e o Réveillon, quando o nível voltará a subir”, afirmou Alice Castilho, diretora de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB.

Situação dos Rios na Região

O 45º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas, divulgado pelo SGB, apresenta um panorama mais amplo dos fenômenos hidrológicos na região. O Rio Solimões, que corta várias cidades do Amazonas, tem apresentado quedas significativas. Em Tabatinga, por exemplo, a média de descida é de 10 centímetros por dia, enquanto em Manacapuru a queda foi de 3 centímetros diários. Outras localidades, como Coari, mostraram estabilidade, com pequenas elevações, mas sem alterar a tendência de seca predominante.

Os dados também indicam que o Rio Amazonas está recuando em várias localidades, incluindo Itacoatiara, Parintins e em cidades paraenses como Óbidos e Santarém. O Rio Madeira tem mostrado flutuações em Porto Velho, enquanto Humaitá registrou elevações no último fim de semana, revelando oscilações ainda imprevisíveis.

Impactos nas Comunidades Ribeirinhas

Essas variações nos níveis dos rios têm um impacto direto nas comunidades ribeirinhas e nos ecossistemas locais. A instabilidade das águas afeta a pesca, o transporte e a subsistência das populações que dependem desses recursos hídricos.

Outros afluentes importantes também apresentam mudanças significativas. O Rio Acre, em Rio Branco (AC), apresentou uma leve elevação, contrastando com o Rio Purus, em Beruri, que sofreu uma queda diária de 1 centímetro, mantendo níveis historicamente baixos para a época. O Rio Branco, em Boa Vista e Caracaraí (RR), permanece estável, mas dentro de uma faixa inferior ao normal.
 
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