O rio Negro, um dos principais cursos d’água da Amazônia, tem apresentado uma descida acelerada nas últimas semanas, com uma redução de 24 centímetros registrada nesta segunda-feira, atingindo a cota de 21 metros e 24 centímetros. Esta é a maior descida desde o início da atual vazante, que começou em junho deste ano. Comparado ao mesmo período de 2023, quando o rio estava a 24 metros e 45 centímetros, o nível atual está 3 metros e 21 centímetros abaixo.
Na última sexta-feira (23), o rio havia registrado uma cota de 21 metros e 93 centímetros. Segundo dados do Porto de Manaus, as descidas têm sido cada vez mais acentuadas, com uma possibilidade de 16% de o rio Negro alcançar um nível abaixo da mínima histórica de 12 metros e 70 centímetros, conforme relatado pela Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais – Serviço Geológico do Brasil (CPRM-SGB).
A baixa vazante já está tendo impactos visíveis na infraestrutura e no meio ambiente. A redução do nível do rio expôs grandes quantidades de lixo na base da ponte de São Raimundo e tornou visíveis as pilastras de sustentação da ponte sobre o rio Negro. Além disso, a descida acentuada também está refletida em outros rios da região. O CPRM-SGB estima uma probabilidade de 65% de que o rio Solimões possa atingir a menor cota já observada em Tabatinga, que é de -86 centímetros, registrada em 2010.
De acordo com André Martinelli, gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA), a magnitude da atual vazante dependerá da duração das descidas e do atraso no período chuvoso. Martinelli observa que “já temos uma seca extrema estabelecida na região do Alto Solimões. No Médio Solimões até Manaus, ainda não foram alcançadas as cotas que trazem transtorno, mas a tendência é que isso ocorra”.
O Boletim de Estiagem divulgado no domingo (25) revela que a seca já afeta 71.925 famílias, totalizando 287.701 pessoas em 20 municípios que estão em estado de emergência. As cidades afetadas incluem Amaturá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Beruri, Boca do Acre, Canutama, Carauari, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Lábrea, Pauini, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga, Tapauá e Tonantins. As demais 42 cidades da região permanecem em normalidade.