Nesta quinta-feira (22), o Rio Negro marcou uma descida de 21 centímetros, a maior desde o início da vazante em junho deste ano. A cota atual do rio é de 22 metros e 15 centímetros, dois metros e oito centímetros abaixo da mesma data no ano passado, quando o Amazonas enfrentava a maior cheia registrada. O Porto de Manaus confirmou a marca.
O Serviço Geológico do Brasil - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB-CPRM) preparou um "Alerta de Vazante da Bacia do Amazonas", que será divulgado nesta sexta-feira (23). O alerta incluirá previsões para as cotas mínimas de 2024 para os rios Negro, Solimões, Amazonas e Madeira, abrangendo municípios como Tabatinga, Manaus e Porto Velho.
A situação já afeta o transporte fluvial. No porto da Manaus Moderna, as balsas estão distantes da rua devido à seca, criando dificuldades para embarcações. O capitão Josenias Nogueira, com 40 anos de experiência no transporte fluvial, alerta que esta seca pode ser a mais severa já vivida. Ele enfrenta aumentos significativos nos custos de combustível, que saltam de R$ 480 para mais de R$ 600 em períodos de seca, impactando seu trabalho e os preços para os clientes.
O Boletim Hidrológico da Bacia Amazonas, publicado em 16 de agosto, confirmou que a bacia do Rio Negro está em recessão, com descidas médias diárias de 13 cm em Manaus. A bacia do rio Amazonas e do Madeira também mostram níveis abaixo da normalidade para a época.
Com a continuidade da seca, o impacto no transporte fluvial e na economia local deve aumentar, com a expectativa de redução no número de embarcações e aumento dos custos operacionais.