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10/10/2024

Rio Negro atinge menor nível em 122 anos e seca se agrava em Manaus

O Rio Negro atingiu um nível alarmante de 12,11 metros nesta quarta-feira, marcando a menor profundidade registrada em 122 anos, desde 1902. A seca extrema afeta a orla de Manaus e preocupa autoridades, especialistas e a população, que enfrenta uma das piores crises hídricas já vistas na região. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o nível do rio pode continuar caindo nas próximas semanas.

Segundo o coordenador nacional dos Sistemas de Alerta Hidrológico, Artur Matos, as chuvas começaram a ocorrer em algumas áreas da Bacia do Amazonas, como em Tabatinga (AM), mas o volume ainda é insuficiente para interromper a tendência de baixa nos rios. “Observamos a diminuição na taxa de descida do Rio Negro, que era de 25 cm por dia e agora está em 12 cm por dia. Mesmo com essa redução, o nível continuará caindo nas próximas semanas”, explica Matos.

Situação crítica no Rio Solimões e outros afluentes

O Rio Solimões, que afeta diretamente o comportamento do Rio Negro em Manaus, também enfrenta uma baixa severa. Na estação de Tabatinga, o rio desce, em média, 8 cm por dia. Em outras cidades do interior do Amazonas, como Fonte Boa e Itapéua, os níveis também registram mínimas históricas de 7,19 metros e -29 cm, respectivamente.

Em Manacapuru (AM), a descida média do rio é de 7 cm por dia, atingindo uma mínima histórica de 2,13 metros. Já no Rio Amazonas, localidades como Careiro da Várzea, Itacoatiara e Parintins enfrentam níveis ainda mais críticos, com algumas regiões registrando níveis negativos, como Parintins, que chegou a -2,42 metros.

Impactos regionais: Madeira e Acre também sofrem com a seca

O Rio Madeira, em Porto Velho (RO), segue a mesma tendência de declínio, atingindo 35 cm nesta semana, apenas 10 cm acima da mínima registrada em setembro. Já o Rio Acre, em Rio Branco (AC), mantém certa estabilidade na descida, mas os níveis ainda são considerados baixos para esta época do ano, registrando 1,29 metro.

Enquanto isso, a Bacia do Rio Branco permanece com níveis dentro da faixa de normalidade, sem grandes variações críticas.

SGB e apoio aos municípios afetados

Em meio à crise, o SGB tem oferecido suporte aos gestores municipais por meio de seus Sistemas de Alerta Hidrológico e o Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS), que disponibiliza dados de poços em todo o Brasil, ajudando as prefeituras a identificar fontes alternativas de abastecimento. Além disso, o mapeamento de áreas de risco geológico realizado pelo SGB tem sido uma ferramenta essencial para a prevenção de desastres, auxiliando na gestão de riscos e na organização territorial dos municípios afetados.

A situação de seca prolongada no Amazonas e em outras regiões da Amazônia levanta preocupações sobre os impactos ambientais, sociais e econômicos, uma vez que a diminuição dos níveis dos rios afeta diretamente o transporte fluvial, a pesca e o abastecimento de água. O cenário, que já é crítico, pode se agravar ainda mais nas próximas semanas, caso as chuvas não se intensifiquem de forma significativa na região.
 

 

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