Com um histórico de apagões, medidores aéreos e contas altas, além de uma dívida que pode chegar a R$ 15 bilhões, o futuro da Amazonas Energia está em xeque. A juíza Jaiza Maria Pinto Fraxe, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), determinou que a direção da empresa mude em um prazo de 48 horas, abrindo caminho para que a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, assuma o controle da distribuidora.
A decisão judicial, proferida na última segunda-feira (23), obriga a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a aprovar a transferência de controle da Amazonas Energia para a J&F. Com isso, as usinas da região Norte que pertencem aos Batista poderão ser convertidas em Contratos de Energia de Reserva (CERs), uma manobra que promete alterar o cenário energético local.
Um dos pontos mais críticos dessa transição é a forma como a dívida será administrada. A nova controladora terá a possibilidade de repassar parte dos R$ 15,8 bilhões de débitos acumulados aos consumidores ao longo dos próximos 15 anos. Isso levanta preocupações sobre o impacto que essa decisão terá nas contas dos usuários, que já enfrentam desafios devido aos altos custos.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a gravidade da situação. Em declarações à imprensa, ele enfatizou que a ANEEL deve assumir a responsabilidade caso não aprove a troca de controle. "Ela [Amazonas Energia] perdeu saúde financeira. É importante que todos compreendam que por isso é necessária a passagem de controle, ou mesmo a intervenção, ou mesmo a caducidade", afirmou Silveira, cobrando uma posição clara da ANEEL.
Em um cenário de incertezas, a análise do ministro em agosto já apontava a troca de controle como a melhor solução. Ele mencionou a possibilidade de intervenção ou caducidade da empresa caso a transição não ocorra.