Em agosto de 2024, a poluição atmosférica na região amazônica registrou níveis alarmantes, com concentrações de material particulado fino (MP2.5) chegando a ser até 80 vezes maiores do que a média da estação chuvosa, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Os dados foram coletados pelo Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO), localizado na Estação Científica de Uatumã, cerca de 150 km ao norte de Manaus, em uma área afastada de centros urbanos e atividades econômicas, permitindo uma análise precisa dos processos atmosféricos.
A concentração de MP2.5, partículas prejudiciais à saúde, aumenta anualmente durante a estação seca devido aos incêndios florestais. Enquanto na estação chuvosa a concentração média é de 1 µg/m³, na seca o valor sobe para entre 5 e 7 µg/m³. Em agosto, os números atingiram níveis extraordinários. Entre 10 e 15 de agosto, a média foi de 60 µg/m³, e entre 27 e 30 de agosto, chegou a 80 µg/m³. Imagens capturadas em 28 de agosto mostraram uma densa nuvem de fumaça sobre a floresta, envolvendo as torres do observatório.
Luciana Rizzo, pesquisadora do ATTO, afirmou que ainda não se sabe ao certo a causa do aumento expressivo das concentrações de MP2.5, mas acredita-se que esteja relacionado ao aumento de queimadas na região. Embora não ocorram grandes incêndios nas proximidades do observatório, as torres detectam a fumaça vinda de áreas mais distantes.
O monitoramento de MP2.5 no ATTO é feito com equipamentos instalados a mais de 300 metros de altura, que coletam dados a cada 30 minutos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a média diária de MP2.5 não ultrapasse 15 µg/m³, alertando para os riscos à saúde, como o agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Além disso, essas partículas podem afetar o clima, alterando a formação de nuvens e a radiação solar.
O ATTO, que possui três torres e cobre um raio de até 400 km, tem como principal objetivo entender melhor os processos atmosféricos na Amazônia e o impacto das atividades humanas no clima global.