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19/10/2024

MDS e ICMBio distribuem 150 mil cestas básicas para comunidades afetadas pela seca na Amazônia

Diante da seca severa que afeta a região amazônica, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), está realizando a distribuição de 150 mil cestas básicas para as populações ribeirinhas nas Unidades de Conservação (UCs) do Norte do Brasil. A medida visa garantir a segurança alimentar de mais de 36 mil famílias que enfrentam o isolamento causado pela baixa navegabilidade dos rios.

Com a intensificação da estiagem, os rios Solimões, Acre e Madeira atingiram níveis historicamente baixos, dificultando o transporte e o acesso a alimentos e água potável. Em locais como Tefé, no Médio Solimões, a seca comprometeu completamente o acesso por embarcações maiores. “Dos 45 anos que vivo aqui, nunca tinha visto uma seca como essa. A situação está muito difícil, e sair da comunidade para comprar comida virou um grande desafio”, relata Raimundo de Azevedo, morador da comunidade Boa Vista do Rio Tefé.

Seca histórica e vulnerabilidade crescente

O impacto da estiagem sobre as populações tradicionais é grave. O isolamento dificulta o acesso a bens essenciais, como alimentos e água tratada, além de elevar o custo de vida, já que a escassez de produtos e a dificuldade logística aumentaram os preços na região. "Embarcações maiores não conseguem acessar as comunidades. O acesso é feito apenas por canoas pequenas, que também enfrentam dificuldades", afirma Claudia Sacramento, coordenadora de emergências climáticas do ICMBio.

Para enfrentar essa situação, a entrega dos alimentos está sendo realizada por via aérea, com o apoio da Petrobras, que também auxilia no monitoramento da fauna aquática da região através de drones. A empresa já havia colaborado em 2023 durante a emergência dos botos em Coari e, novamente, se disponibilizou a prestar assistência. “Desde o início, entendemos a importância de fazer parte da solução, colaborando com a sociedade brasileira”, afirma Daniele Lomba, gerente da Petrobras.

Apoio emergencial e expansão das necessidades

Inicialmente, a entrega aérea de cestas básicas estava prevista para apenas duas Unidades de Conservação. No entanto, com a piora da seca e o atraso na liberação de recursos pela Casa Civil, esse número subiu para 22 UCs. No Médio Solimões, por exemplo, 2.615 famílias serão beneficiadas com 10.460 cestas de alimentos e kits de tratamento emergencial de água, fornecidos pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

A ação emergencial busca atender famílias em situação de insegurança alimentar nas regiões declaradas em estado de emergência ou calamidade pública. As cestas são fundamentais para garantir o direito básico à alimentação dessas populações isoladas e vulneráveis, que enfrentam a pior seca da história recente.

Enquanto as águas permanecem baixas e a seca persiste, as iniciativas de apoio continuam, com o objetivo de minimizar os impactos dessa crise humanitária nas comunidades ribeirinhas da Amazônia. 

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