Manaus amanheceu, nesta segunda-feira (12), sob uma densa camada de fumaça pelo terceiro dia consecutivo. A qualidade do ar na capital do Amazonas é classificada como "muito ruim", segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). O bairro Morro da Liberdade, na Zona Sul, registrou um preocupante nível de poluição de 94.6 µg/m³, a pior medida do dia.
De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), o fenômeno é resultado das queimadas no Sul do Amazonas e em estados vizinhos. A Defesa Civil do Estado informou que uma frente fria chegou ao sul do estado, alterando a direção dos ventos e trazendo a fumaça para a região metropolitana de Manaus.
O problema se intensificou no último sábado (10), quando bairros das Zonas Sul e Oeste foram os mais afetados. No Morro da Liberdade, a qualidade do ar chegou a alarmantes 151.1 µg/m³. No domingo (11), a fumaça persistiu, e o bairro Vila Buriti, também na Zona Sul, registrou 116.2 µg/m³.
A situação crítica não se restringe apenas à capital. Municípios como Apuí, Lábrea e Novo Aripuanã, localizados no sul do Amazonas, também sofrem com a má qualidade do ar. Conhecida como 'arco do fogo', essa região enfrenta queimadas intensas diariamente, impactando gravemente a saúde dos moradores.
Em 2023, Manaus foi apontada como a capital brasileira com a pior qualidade do ar, segundo o Relatório Mundial da Qualidade do Ar. Embora os piores índices tenham sido registrados em setembro do ano passado, este ano a situação se agravou mais cedo, com níveis alarmantes já na segunda semana de agosto.
O estado do Amazonas está em emergência ambiental devido ao grande número de focos de calor. Até o momento, 22 dos 62 municípios estão nessa situação, e a prática de queimadas, mesmo as controladas, está proibida por 180 dias.
Em julho de 2024, o Amazonas bateu recordes no número de queimadas, com 4.241 focos registrados, o maior índice desde 1998, quando o monitoramento começou. Este cenário se assemelha ao de 2023, quando o estado contabilizou mais de 20 mil queimadas.
Desde junho, o Corpo de Bombeiros do Amazonas atua no sul do estado por meio da Operação Aceiro, que já combateu mais de 5 mil focos de incêndio entre 3 de junho e 9 de agosto. Além disso, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) estão mobilizados para enfrentar as queimadas na região.
Enquanto a fumaça persiste e os números alarmantes continuam a crescer, a população de Manaus e de outras cidades afetadas seguem enfrentando os impactos severos da poluição atmosférica, que representa um risco significativo à saúde pública e ao meio ambiente.