Cleusimar Cardoso Rodrigues e Ademar Farias Cardoso Neto, mãe e irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, que faleceu em maio deste ano, decidiram não conceder mais entrevistas enquanto estiverem detidos. A decisão foi comunicada à Justiça amazonense na última segunda-feira (30) pela defesa dos dois, em resposta a um pedido de entrevista da TV Norte, afiliada do SBT no Amazonas.
A emissora havia solicitado autorização para realizar uma entrevista com Cleusimar e Ademar dentro do presídio, onde estão detidos desde maio, acusados de envolvimento na morte de Djidja. No entanto, os advogados Rosana de Assis e Mozarth Bessa Neto, que representam os acusados, informaram que "por hora não existe interesse dos acusados em conceder entrevistas enquanto presos".
A recusa acontece após a entrevista concedida ao jornalista Roberto Cabrini, da RecordTV, que foi autorizada pela defesa e exibida no dia 22 de setembro. Cabrini teve acesso ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim, onde Cleusimar está no Centro de Detenção Feminino (CDF) e Ademar no Centro de Detenção Provisória de Manaus I (CDPM I). Durante a entrevista, ambos negaram as alegações da Polícia Civil do Amazonas de que fariam parte de uma seita chamada "Pai, Mãe, Vida", que supostamente incentivava o uso da droga ketamina para induzir estados de transe.
Cleusimar e Ademar declararam que praticavam meditação baseada no livro "Cartas de Cristo", uma obra que propõe a elevação espiritual e a busca pela "consciência Crística de Jesus". Eles negaram qualquer envolvimento com práticas ilícitas, conforme apontado nas investigações da Polícia Civil.
O pedido da TV Norte foi apresentado com o objetivo de realizar uma cobertura informativa do processo criminal, mas o Ministério Público destacou que a concessão da entrevista dependia do consentimento dos detidos, que não foi dado.
Cleusimar e Ademar foram presos em 30 de maio deste ano, dois dias após a morte de Djidja, durante a Operação Mandrágora, que também deteve outras oito pessoas. As investigações envolvem acusações de cárcere privado, uso de drogas e abortos forçados.
Segundo a advogada Rosana de Assis, os dois enfrentaram crises de abstinência após serem presos, mas agora estão estáveis. Cleusimar, que realiza atividades dentro do presídio, incluindo o cuidado de animais e de uma horta, também se encontra em melhor condição de saúde.