Em uma decisão que promete impactar profundamente o setor energético no Amazonas, o presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), desembargador João Batista Moreira, derrubou nesta sexta-feira a liminar que suspendia a conversão dos contratos de compra e venda em contratos de energia de reserva. A medida, tomada inicialmente pelo desembargador Ney Bello no último dia 5, inviabilizava a transferência das termelétricas da Eletrobrás e a concessão da Amazonas Energia ao Grupo J&F, comandado pelos irmãos Batista.
A ação havia sido movida pela Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), uma empresa de economia mista controlada pelo governo estadual e pela Termogás, do empresário Carlos Suarez. Representada judicialmente pelo escritório do ex-presidente Michel Temer, a Cigás alegava que deveria ser ouvida sobre a conversão dos contratos, argumentando sua posição como parte integrante da cadeia de fornecimento de gás natural.
Contudo, ao extinguir a ação sem julgamento de mérito, João Batista Moreira apontou que a Cigás não atuava em defesa do interesse público ou do objeto da sua delegação, que é a distribuição de gás natural no Amazonas. Segundo o desembargador, os interesses da companhia eram “meramente comerciais”, centrados no temor de que alterações societárias na Amazonas Energia impactassem a execução dos contratos de fornecimento de gás.
Impactos no Setor Energético
No contexto do Amazonas, o fornecimento de energia depende de uma intrincada cadeia. A Petrobras extrai o gás natural e o repassa à Cigás, que por sua vez o vende para usinas termelétricas. Essas usinas geram energia elétrica, posteriormente distribuída pela Amazonas Energia. Com a decisão, as conversões contratuais que estavam paralisadas poderão ser retomadas, possibilitando a continuidade da concessão da Amazonas Energia ao Grupo J&F.
A Cigás havia argumentado que a falta de consulta pública sobre as conversões de contrato a colocava em situação vulnerável. Entretanto, a posição do TRF1 destaca que tais preocupações não justificam sua legitimidade para barrar as negociações.
Repercussões
A decisão de João Batista Moreira reacende o debate sobre a privatização e reestruturação do setor elétrico no Brasil, especialmente em regiões que dependem de sistemas isolados, como é o caso do Amazonas. O Grupo J&F, conhecido por sua atuação em diversos setores, como alimentos e papel e celulose, busca consolidar sua entrada no segmento energético.
Por outro lado, a decisão também coloca em xeque os interesses da Cigás e seus parceiros comerciais, exigindo um reposicionamento estratégico para lidar com as mudanças no controle das termelétricas.
A continuidade do processo deve atrair atenção tanto de agentes públicos quanto privados, dado o impacto que essas transformações poderão ter na oferta de energia e no desenvolvimento econômico da região.