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20/08/2024

Incêndios na Amazônia agravam qualidade do ar em várias regiões do Brasil e países vizinhos

Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace

As informações são baseadas em imagens de satélite.

A intensificação da temporada de incêndios na Amazônia, combinada com mudanças climáticas, tem causado uma grave deterioração na qualidade do ar em diversas regiões do Brasil. Dez cidades de diferentes estados registraram episódios de fumaça intensa, com uma faixa de poluição que se estende desde o Norte do Brasil até as regiões Sul e Sudeste, alcançando até o Peru, Bolívia e Paraguai. As informações são baseadas em imagens de satélite do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), que mostram a elevada concentração de monóxido de carbono na atmosfera.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), os focos de incêndio estão concentrados principalmente no sul do Amazonas e ao longo da Rodovia Transamazônica (BR-230). De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Amazonas e Pará concentram mais da metade dos incêndios registrados no bioma amazônico entre 1º de janeiro e 18 de agosto de 2024. Desde o início de julho, 67,2% dos focos de calor estão localizados nesses dois estados.

O impacto das queimadas tem sido devastador. De acordo com o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ), este ano o fogo já destruiu 3,2 milhões de hectares da Amazônia, representando 0,77% do bioma. No Pantanal, quase 1,9 milhão de hectares foram consumidos, afetando 12,5% da área total do bioma. O Sistema de Alarmes do Lasa-UFRJ emitiu um alerta de perigo extremo de fogo para a Bacia do Paraguai, no Pantanal, destacando que as condições climáticas adversas na região dificultam o combate aos incêndios, até mesmo por meios aéreos.

Para enfrentar a crise, o MMA mobilizou 1.489 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para atuar no combate aos incêndios florestais na Amazônia. Desde 24 de julho, 98 focos de incêndio foram controlados, mas 75 ainda permanecem ativos, ameaçando se expandir e gerando milhares de novos focos de calor.

No Pantanal, as operações de combate aos incêndios contam com 348 brigadistas do Ibama e ICMBio, além de 454 militares das Forças Armadas, 95 integrantes da Força Nacional e dez agentes da Polícia Federal. Das 98 áreas afetadas, 50 incêndios foram extintos e 46 permanecem ativos, com 27 deles sob controle.

O governo federal criou uma sala de situação para centralizar a resposta aos incêndios no país desde junho. Na Amazônia Legal, foram disponibilizados R$ 405 milhões do Fundo Amazônia para apoiar as operações do Corpo de Bombeiros dos estados. No Pantanal, um crédito extraordinário de R$ 137,6 milhões foi liberado, além de R$ 13,4 milhões adicionais repassados ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para assistência humanitária e combate a incêndios florestais.

A situação exige atenção contínua, à medida que o país enfrenta os desafios impostos pelas mudanças climáticas e a destruição dos biomas. O Unicef também alertou sobre os cuidados necessários com a saúde diante da exposição à fumaça, destacando a necessidade de ações coordenadas para mitigar os efeitos dessas catástrofes ambientais. 

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