Os estaleiros amazonenses Juruá e Rio Amazonas (Eram) serão contemplados com R$ 1,36 bilhão do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para a construção de balsas e empurradores, destinados ao transporte de mercadorias do setor mineral. O projeto, aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), busca melhorar o escoamento da produção mineral e diminuir a dependência do transporte rodoviário, conhecido por seu impacto ambiental.
O investimento no Amazonas faz parte de um pacote maior, totalizando R$ 3,7 bilhões, destinado à empresa LHG Logística Ltda, parte do Grupo J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista. Este financiamento beneficiará seis estaleiros distribuídos pelo Norte, Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil.
O projeto prevê a construção de 400 balsas e 15 empurradores nos próximos quatro anos, facilitando o transporte de ferro e manganês entre as minas de Corumbá (MS) e o terminal marítimo de Nova Palmira, no Uruguai. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que a iniciativa não apenas impulsionará a produção nacional, mas também contribuirá para a descarbonização do transporte, além de revitalizar a indústria naval brasileira, que enfrenta forte concorrência internacional.
O estaleiro Juruá, que preferiu não comentar sobre o projeto. Já o estaleiro Rio Amazonas (Eram) informou que a seleção da empresa ocorreu por meio de um cadastro prévio junto ao FMM. O Eram também destacou que já possui registro como construtor e reparador naval e estima gerar 600 empregos diretos, incluindo soldadores e montadores navais, além de 100 empregos indiretos ao longo do período de construção.
Além disso, o Eram pretende formar novos profissionais através de uma escola já estabelecida no estaleiro, focando em solda e montagem, já que a formação tradicional, como a oferecida pelo Senai, não é específica para a área naval. “Estimamos que 30% a 40% dos novos contratados serão formados por meio da escola”, afirmou a empresa.
O investimento no setor naval representa uma esperança de revitalização econômica para a região, mas também levanta questões sobre a criação de empregos sustentáveis e a necessidade de formação adequada para atender às demandas do mercado.