Em entrevista ao programa Nova Economia da TVGGN, o professor Augusto César Barreto Rocha, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), alertou sobre o "problema secular de não investimento em infraestrutura sustentável" que afeta a região amazônica. Durante a entrevista, realizada na quinta-feira (22), Augusto destacou a necessidade urgente de modernização das infraestruturas na Amazônia para corrigir deficiências crônicas e promover um desenvolvimento equilibrado.
Augusto César observou que, enquanto o sudeste do Brasil possui um estoque robusto de infraestrutura, a Amazônia enfrenta sérias lacunas, particularmente no que diz respeito a rodovias e hidrovias. Ele criticou a atual situação da BR-319, uma rodovia essencial, que enfrenta problemas de degradação e falta de proteção ambiental. "A rodovia não pode ser um vetor de destruição. Deve ser um vetor de proteção", afirmou.
O professor também apontou a falta de hidrovias na região, enfatizando que, embora o Rio Madeira seja crucial para o escoamento da soja, a sazonalidade dos rios compromete o transporte durante períodos de seca. A ausência de infraestrutura adequada leva a custos elevados de transporte aéreo, que se tornam uma carga adicional para as indústrias locais.
Augusto César defendeu um investimento significativo em infraestrutura sustentável, ressaltando que o Amazonas contribui com 34,9% dos impostos da região Norte, mas enfrenta desafios devido à falta de desenvolvimento moderno. Ele sugeriu que o Estado aloque 2,5% de seu PIB anualmente para infraestrutura para corrigir essa deficiência histórica e promover um desenvolvimento mais equilibrado e ambientalmente consciente.
A falta de infraestrutura e a má gestão ambiental são vistas como os principais obstáculos ao crescimento sustentável da Amazônia, e o professor enfatizou a necessidade de uma abordagem contemporânea que considere tanto as necessidades econômicas quanto a proteção ambiental.