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02/07/2024

Empresa patrocinadora do Festival de Parintins é alvo de inquérito por ameaça a lideranças indígenas

Foto: Montagem/Portal Fiscaliza

Enquanto a Eneva contribui significativamente para o Festival de Parintins, exaltando a cultura indígena, a empresa também enfrenta graves acusações de violar direitos fundamentais dos povos tradicionais

A Eneva S/A, patrocinadora oficial do 57° Festival de Parintins, que ocorreu neste final de semana no Amazonas, está sob investigação do Ministério Público Federal do Amazonas (MPF/AM). A empresa, responsável pela operação de extração de combustíveis fósseis no "Campo do Azulão", entre as cidades de Itapiranga e Silves, é acusada de ameaçar a vida de lideranças indígenas locais.

 
A Eneva, que desde 2021 opera a extração de gás para geração de energia no Campo do Azulão, destinou R$ 15 milhões aos representantes dos bumbás Caprichoso e Garantido, figuras centrais do festival, cujo objetivo é exaltar a cultura indígena da Amazônia. No entanto, a empresa enfrenta sérias acusações de violar a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que exige consultas públicas com povos tradicionais em caso de empreendimentos de grande porte próximos a seus territórios.
 
O inquérito do MPF/AM baseia-se em um relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) – Prelazia de Itacoatiara, apresentado a órgãos federais em setembro de 2023. O documento detalha relatos de perseguições e ameaças contra Jonas Mura, cacique da Aldeia Gavião Real II, que integra o Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH). Segundo Mura, as ameaças começaram em 2016, durante os primeiros estudos para a exploração de gás na região.
 
Nas proximidades do Campo do Azulão, vivem aproximadamente 200 famílias indígenas, quilombolas e ribeirinhas. A presença de poços de extração de gás é considerada uma ameaça ao modo de vida dessas comunidades. A Convenção 169 da OIT, que não foi respeitada, prevê audiências públicas para discutir os impactos de tais empreendimentos.
 
Em meio ao debate sobre a demarcação de terras na área do Complexo do Azulão, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) enviou documentos ao MPF, confirmando a presença das comunidades indígenas e indicando que há um processo de homologação de território em andamento.
 
Enquanto a Eneva contribui significativamente para o Festival de Parintins, exaltando a cultura indígena, a empresa também enfrenta graves acusações de violar direitos fundamentais dos povos tradicionais. O inquérito do MPF/AM e as ações de proteção aos defensores dos direitos humanos ressaltam a necessidade urgente de diálogo e respeito às convenções internacionais para garantir a segurança e a dignidade das comunidades afetadas.
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