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07/11/2024

Cerca de 420 mil crianças enfrentam seca extrema na Amazônia, alerta Unicef

A escassez de água e as condições severas de seca que afetam a região amazônica já colocam em risco a vida de cerca de 420 mil crianças, de acordo com novas estimativas do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgadas nesta quinta-feira (7). O fenômeno climático, que já dura mais de um ano, impacta principalmente comunidades ribeirinhas e indígenas no Brasil, Colômbia e Peru.

A seca, que reduziu drasticamente os níveis dos rios da bacia amazônica, prejudica o transporte de alimentos, água, combustível, suprimentos médicos e o acesso à educação. As famílias dessas regiões dependem dos rios para suas necessidades diárias e enfrentam dificuldades cada vez maiores para suprir o básico. 

A falta de acesso a serviços essenciais como saúde, educação e proteção infantil se soma aos danos ambientais, colocando as comunidades em uma situação de vulnerabilidade extrema. O impacto é especialmente grave para as crianças, que enfrentam aumento de doenças respiratórias, malária, diarreia e desnutrição, além da interrupção das aulas em mais de 130 escolas apenas na Amazônia colombiana.

Em algumas áreas do Brasil, como na região sul da Amazônia, mais de 1.700 escolas e mais de 760 centros de saúde foram fechados ou se tornaram inacessíveis devido à baixa dos níveis de água. Uma pesquisa recente do Unicef revelou que metade das famílias de 14 comunidades no sul da Amazônia brasileira relatou que seus filhos estão fora da escola devido à seca. A situação é semelhante no Peru, onde as comunidades indígenas da região de Loreto também estão sofrendo com a falta de acesso a serviços essenciais.

Os incêndios florestais, exacerbados pela seca, também agravam a crise, causando perdas irreparáveis à biodiversidade e poluindo o ar local e regionalmente. A insegurança alimentar gerada pela escassez de água aumenta o risco de desnutrição e má nutrição, especialmente em crianças menores de cinco anos. Além disso, mulheres grávidas que enfrentam essas condições têm maior probabilidade de dar à luz bebês com baixo peso.

Em resposta a essa emergência, o Unicef estima que US$ 10 milhões são necessários para ajudar as comunidades afetadas, incluindo a distribuição de água potável, apoio à saúde e à educação, e fortalecimento da infraestrutura comunitária. Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef, destacou a urgência da situação: "Estamos testemunhando a devastação de um ecossistema essencial, deixando muitas crianças sem acesso a alimentos, água, cuidados de saúde e escolas adequados. Devemos mitigar os efeitos das crises climáticas extremas para proteger as crianças hoje e as gerações futuras."
 

O Unicef alertou ainda para a necessidade de ações globais mais eficazes para proteger as crianças das consequências devastadoras das mudanças climáticas. "As crianças devem estar no centro de nossas negociações climáticas", afirmou Russell, destacando a importância de se pensar em soluções que possam aliviar as dificuldades das populações mais vulneráveis e mitigar os efeitos de desastres naturais como a seca. 

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