Às vésperas das eleições, a gestão do presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Caio André (União Brasil), tenta emplacar duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) com o objetivo de investigar o prefeito David Almeida (Avante). A medida visa desmobilizar uma possível reeleição do prefeito, mas levanta sérias questões sobre a legitimidade e os métodos utilizados.
As CPIs foram instauradas de forma rápida e controversa, gerando desconfiança sobre a real intenção por trás da iniciativa. Além disso, os membros e líderes das comissões possuem um histórico questionável, com diversas alegações de corrupção que rondam suas atuações dentro do Parlamento.
A falta de transparência na gestão de Caio André é um dos principais pontos críticos levantados. O Ministério Público de Contas (MPC) reprovou a administração da CMM, classificando a transparência como “inexistente”. Desde que Caio assumiu a presidência em 2022, a nota da Câmara no ranking de transparência do Radar de Transparência Pública caiu de 73,82% para uma situação alarmante. Em 2021, a CMM ocupava a segunda posição no ranking, atrás apenas da Câmara de Parintins.
Essa deterioração da transparência vai de encontro à Lei de Acesso à Informação, que garante a todos os cidadãos o direito de acessar informações públicas, um princípio fundamental previsto na Constituição Federal.
Outro ponto controverso da gestão de Caio André foi a tentativa de destinação de uma emenda de R$ 563 mil ao Instituto Tecnológico, Mineração, Preservação Ecológica, Social, Cultural e Desportivo (Impesdam). A proposta foi vetada após serem encontradas inconsistências nas informações do instituto, que seria o responsável pela execução do projeto, previsto para ocorrer através da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc).
Esses acontecimentos lançam uma sombra sobre a credibilidade da gestão de Caio André e levantam questões sobre o uso de CPIs como ferramenta política em tempos de eleição. Com a população atenta a essas movimentações, a pressão por transparência e responsabilidade na administração pública continua a crescer.