A Câmara Municipal de Manaus (CMM) divulgou no Diário Oficial, na última sexta-feira (26), que o "Instituto Acesso de Ensino, Pesquisa, Avaliação, Seleção e Emprego" será a responsável pela realização do próximo concurso público da Casa Legislativa. A contratação foi feita sem custos para a CMM, por meio de um acordo que isenta a Câmara de qualquer ônus financeiro, sendo os custos cobertos apenas pelo valor das inscrições. O presidente da CMM, vereador Caio André (UB), liderou o processo de contratação, que dispensou licitação.
O Instituto Acesso é o mesmo que organizou o concurso da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) em 2018, que foi marcado por uma série de irregularidades. Naquela ocasião, problemas como atraso na entrega das provas, falta de salas adequadas e malotes de provas danificados resultaram na suspensão do certame pela Justiça. Cerca de 7 mil candidatos para o cargo de professor tiveram que refazer as provas.
A decisão de contratar o Instituto Acesso, uma empresa com apenas nove concursos realizados em sua história, gerou preocupações. Especialistas e autoridades questionaram a escolha, destacando que a falta de experiência da banca pode aumentar o risco de fraudes e erros na condução do certame. A Procuradoria da CMM, no entanto, defendeu o modelo de contratação, alegando que ele garante eficiência e economicidade, além de demonstrar um compromisso com a transparência e a responsabilidade fiscal.
Apesar das justificativas, a ausência de custos para a CMM levanta dúvidas sobre a capacidade de fiscalização da Câmara sobre a empresa contratada. O modelo de contratação sem ônus financeiro para a Casa Legislativa visa, segundo a Procuradoria, assegurar que os recursos públicos sejam utilizados de maneira econômica e eficiente.
Histórico de Problemas
Em 2018, o concurso da Seduc realizado pelo Instituto Acesso enfrentou diversos problemas. Os candidatos relataram atrasos na entrega das provas, falta de salas disponíveis, malotes de provas rasgados e gabaritos com respostas duplas. Em São Gabriel da Cachoeira, as provas foram enviadas erroneamente para a capital, prejudicando os candidatos do município. Devido a essas falhas, cerca de 20 candidatos se recusaram a realizar a prova e registraram boletins de ocorrência.
A Seduc confirmou as irregularidades e anunciou a reaplicação das provas para os candidatos prejudicados. O então secretário estadual de educação, Lourenço Braga, garantiu que a medida visava assegurar a transparência e a integridade do concurso.
*Com informações do Portal Radar Amazônico