NOTÍCIAS
Destaques
31/10/2024

Aterros inadequados provocaram deslizamento de terra no porto de Manacapuru, aponta relatório

Após três semanas do deslizamento de terra próximo ao Porto de Terra Preta, o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) divulgou nesta quinta-feira (31) um relatório técnico sobre o desastre ocorrido em 7 de outubro, que resultou na morte de duas pessoas e na interdição do Terminal Hidroviário de Manacapuru.*

A análise, realizada pelos geocientistas Antonio Gilmar Honorato de Souza, Marco Antonio Oliveira e Renê Luzardo, e pelo técnico em hidrologia Jose Carlos da Matta Silva, entre os dias 8 e 10 de outubro, traz detalhes sobre as causas e consequências do evento. O relatório foi oficialmente apresentado durante coletiva de imprensa na Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA) e se relaciona a uma preocupação mais ampla com a seca extrema que impacta a região amazônica em 2024.

Segundo o relatório, a área afetada pelo deslizamento no porto abrange cerca de 15 mil metros quadrados e tem profundidade de até 20 metros. Foram mobilizados aproximadamente 300 mil metros cúbicos de material. Um dos principais fatores críticos para a ruptura foi a saturação do solo e a rápida descida do nível das águas do rio Solimões, que apresentou uma variação de 15,6 metros no período.

“Os eventos de ‘terras caídas’ ao longo das margens dos rios amazônicos indicam a instabilidade dos terrenos. A fragilidade do solo e a sobrecarga local foram determinantes para o deslizamento de grande magnitude”, afirmaram os pesquisadores no relatório.

Durante a cheia, o solo na área afetada absorveu umidade excessiva, comprometendo sua estabilidade. Com a seca subsequente, o solo saturado não suportou o peso adicional, resultando na ruptura. A análise também indica que a localização do porto na margem erosiva do rio e a presença de minas d’água na base do talude contribuíram para o colapso, agravado por aterros inadequados.

Os especialistas recomendam estudos hidrológicos e geotécnicos adicionais para identificar as condições de instabilidade na região e orientarem políticas de prevenção. Vistorias regulares nas áreas de risco e nas fundações do terminal hidroviário são apontadas como essenciais para a segurança das instalações.

Além disso, o SGB sugere melhorias nas fundações, como o uso de estacas profundas que alcancem a rocha, evitando escavações e aterros inadequados nas margens do rio. “Recomendamos a utilização de estacas profundas para garantir estabilidade, além de evitar aterros impróprios nas áreas de várzea dos grandes rios da Amazônia”, ressaltaram.

O relatório conclui com um alerta para que ações preventivas sejam implementadas para proteger vidas e infraestrutura, especialmente em períodos de seca extrema, como os que ocorreram em 2010, 2023 e 2024. “O monitoramento das áreas de alto risco e a proibição da permanência de embarcações e construções em áreas vulneráveis são medidas fundamentais para mitigar o impacto de novos deslizamentos”, finaliza o relatório.
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS

O intuito desse portal e levar informação sem distorção ao povo, no que diz respeito as autoridades, além de fiscalizarmos seus trabalhos em nossa cidade!

Copyright © 2017 - 2023 - Fiscaliza Manaus. Todos os direitos reservados