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31/07/2024

Amom abre mão de Fundo Eleitoral mas possui suporte financeiro de familiares ligados ao Judiciário e pessoas influentes

Foto: Fotomontagem Fiscaliza Manaus

O pré-candidato à Prefeitura de Manaus, Amom Mandel (Cidadania), declarou no último sábado (27), que abriria mão dos R$15 milhões do Fundo Eleitoral previstos para campanha ao executivo municipal. Segundo o parlamentar,  a caminhada até a possível eleição seria focada nas redes sociais e na internet. 

 

No entanto, um levantamento feito pelo Portal Fiscaliza Manaus, mostra que o postulante não deve sentir falta da verba pública, uma vez que possui suporte financeiro familiar forte, conforme dados exibidos pelo Divulcand de 2022, que mostraram que só a família Chalub e a mãe, doaram R$254.382,70 dos R$ 497.232,70 arrecadados à candidatura que o elegeu como deputado federal.
 

O maior doador da campanha, foi o Jorge Chalub Pereira, empresário administrador da Movenorte Comércio e Representações Ltda,  que destinou R$80 mil a Mandel. Seguidos de Jorge Chalub Pereira Filho e Delfim de Albuquerque Chalub Pereira com R$ 43 mil e R$35mil, que também fazem parte da família de Amom e são sócios desta empresa, que frequentemente participa de licitações para vários órgaos estaduais e federais. 

A mãe de Amom, a magistrada do TJAM, Elza Vitória de Sá Peixoto Pereira de Mello doou R$50mil, seguida de outros familiares médicos, empresários e ainda, funcionários do TJAM. 

Altos custos
 
Fazer uma campanha eleitoral para prefeito envolve diversas etapas e aspectos legais, organizacionais e estratégicos, que tem valores considerados altos para quem vai abrir mão de uma verba de R$15 milhões. 

Entre eles, o planejamento de campanha que envolve a formação de uma equipe composta por coordenadores, marqueteiros, assessores de comunicação e advogados. Assim como  o planejamento das atividades e eventos de campanha, considerando datas importantes do calendário eleitoral.

Sem mencionar o uso de rádio, televisão, jornais, internet e redes sociais para promover a candidatura. Além de confecção de panfletos, banners, santinhos, adesivos e outros materiais de divulgação. A realização de eventos públicos para apresentar propostas e interagir com eleitores também está entre os custos de uma campanha.

Outro investimento crucial de uma campanha são as estratégias de comunicação e marketing, que incluem a criação de uma identidade visual consistente para a campanh e o uso das redes Sociais.
 
Cada um desses elementos precisa ser cuidadosamente planejado e executado para aumentar as chances de sucesso na campanha eleitoral. O que pode impactar financeiramente o candidato, que não ainda não informou como deve custear tais gastos.
 
O poder da influência 

A prática de doações de pessoas físicas para candidatos é legal e regulamentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no entanto, devido à influência da família de Amom no Poder Judicário levantam suspeitas de até onde pode ir a colaboração em favor de Mandel. 

Os recursos financeiros aumentam as chances de sucesso dos candidatos. É importante, portanto, garantir que o processo seja o mais justo e isonômico possível, evitando ao máximo a influência do poder econômico sobre o resultado das eleições, conforme aponta a Legislação Eleitoral, que proíbe e tenta combater o abuso do poder político e econômico durante as campanhas eleitorais.

Os abusos do poder político e econômico são condutas ilegais praticadas nas campanhas eleitorais e ocasionam – se comprovadas – a inelegibilidade por oito anos da pessoa que os pratica, entre outras punições, de acordo com a Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar nº 64/1990).

Financiamento privado

A doação de dinheiro privado em campanhas eleitorais pode desequilibrar a igualdade entre candidatos por várias razões:

Acesso desigual a recursos financeiros
 
Candidatos que têm acesso a doadores ricos ou grandes corporações podem arrecadar mais fundos para suas campanhas. Isso permite que eles invistam mais em propaganda, eventos, e outras atividades de campanha, aumentando sua visibilidade e influência sobre os eleitores. Candidatos com menos recursos financeiros acabam em desvantagem, pois não conseguem competir no mesmo nível.

Influência sobre políticas públicas
 
Grandes doadores podem tentar influenciar as políticas públicas e as decisões dos candidatos eleitos, esperando favores ou políticas que beneficiem seus interesses. Isso pode distorcer o processo democrático, desviando-o do interesse público para atender interesses particulares.

Acesso diferenciado a meios de comunicação
 
Com mais recursos, candidatos podem comprar mais espaço publicitário em mídia, como televisão, rádio e internet. Isso pode criar uma disparidade na exposição pública entre os candidatos, afetando a capacidade dos eleitores de fazer uma escolha informada baseada em uma visão equilibrada de todos os candidatos.

Possíveis casos de corrupção
 
A influência de grandes doadores pode levar a casos de corrupção, onde os políticos eleitos favorecem seus doadores em detrimento do interesse público. Isso pode enfraquecer a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas e no processo eleitoral.

Acesso a consultoria e estratégias avançadas
 
Candidatos com mais recursos podem contratar consultores políticos e equipes de campanha mais experientes, desenvolver estratégias sofisticadas e utilizar tecnologias avançadas para influenciar a opinião pública, algo que candidatos com menos recursos não podem fazer.

Esses fatores podem criar um ambiente em que o poder econômico tem uma influência desproporcional no resultado das eleições, comprometendo a igualdade de oportunidades entre os candidatos e a equidade do processo democrático.
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