O Amazonas figura entre os dez estados brasileiros com maiores índices de população que gasta em apostas esportivas por meio de aplicativos de bet ou sites na internet. De acordo com a pesquisa Panorama Político 2024: apostas esportivas, golpes digitais e endividamento, divulgada pelo DataSenado nesta terça-feira (01/10), 14% da população amazonense com 16 anos ou mais declarou ter participado de apostas esportivas nos últimos 30 dias, colocando o estado na sétima posição do ranking nacional. Os estados de Roraima e Pará lideram essa lista, com percentuais ainda mais elevados.
O estudo revela que, no Brasil, 13% da população, o equivalente a 22,13 milhões de pessoas, participou de apostas esportivas recentemente. Em termos gerais, a maior parte dos apostadores é do sexo masculino (62%), e a faixa etária predominante é a de pessoas com idades entre 16 e 39 anos (56%). A pesquisa também destaca que a maioria dos apostadores tem nível de escolaridade de ensino médio completo (40%), e 68% exercem alguma atividade remunerada.
Em relação à renda, a maioria dos participantes das apostas (52%) recebe até dois salários mínimos por mês, e 35% têm uma faixa de renda entre dois e seis salários. Apesar de um número considerável de apostadores ser de baixa renda, a pesquisa aponta que a maior parte dos gastos ocorre entre aqueles que ganham menos, embora haja um aumento proporcional na participação dos apostadores com maior poder aquisitivo.
O valor médio gasto por pessoa nas apostas também foi abordado no estudo. A maioria dos apostadores (68%) gastou até R$ 500 em apostas esportivas online, com apenas 3% afirmando ter desembolsado valores superiores a essa quantia. A pesquisa aponta uma distribuição geográfica equilibrada da participação nas apostas em todas as regiões do Brasil, com exceção de Roraima e Pará, que se destacam por índices de 17%, acima da média nacional de 12%.
Endividamento relacionado às apostas
Outro dado relevante da pesquisa é que uma parcela significativa dos apostadores (58%) está com dívidas em atraso superiores a 90 dias. A relação entre apostas esportivas e endividamento é um aspecto preocupante, com muitos brasileiros enfrentando dificuldades financeiras devido aos gastos com os jogos online.
A pesquisa foi realizada entre 5 e 28 de junho, com 21.808 pessoas entrevistadas por telefone, com idade superior a 16 anos. O levantamento faz parte do estudo Panorama Político, que analisa temas em debate no Congresso Nacional e busca quantificar as percepções da população sobre democracia e temas políticos no Brasil.
Regulamentação das apostas esportivas
O crescimento das apostas esportivas no Brasil tem gerado debates sobre os impactos econômicos e sociais. Embora as apostas online tenham sido permitidas pelo governo de Michel Temer por meio da Medida Provisória (MP) 846/2018, elas só foram regulamentadas em 2023 pela Lei 14.790. A nova legislação estabelece regras para a exploração das apostas, tributa tanto empresas quanto apostadores, e destina uma parte da arrecadação para áreas como saúde, educação, segurança pública e esporte.
Apesar da regulamentação, a popularização das apostas, impulsionada por propagandas online e sua relação com eventos esportivos, tem levado muitas famílias a enfrentarem dificuldades financeiras. O governo federal já anunciou planos para endurecer as regras relacionadas às apostas, em uma tentativa de mitigar os impactos negativos desse mercado, que tem afetado especialmente os consumidores mais vulneráveis.
A pesquisa do DataSenado oferece um alerta sobre os riscos associados ao aumento das apostas esportivas, especialmente no que diz respeito ao endividamento e à vulnerabilidade dos apostadores mais jovens e de menor poder aquisitivo. O desafio agora é equilibrar a regulação desse setor com medidas para proteger a população de possíveis danos financeiros.