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10/01/2025

2024 bate recorde e se torna o ano mais quente da história

O planeta Terra registrou seu ano mais quente em 2024, superando um importante limiar climático de aquecimento, anunciaram diversas agências meteorológicas nesta sexta-feira (10). A temperatura média global ultrapassou os 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais pela primeira vez de maneira significativa, confirmaram o Serviço de Mudança Climática Copernicus da União Europeia, o Met Office do Reino Unido e a Agência Meteorológica do Japão.

Recorde Global de Temperatura

De acordo com o Copernicus, a temperatura média global de 2024 atingiu 1,6ºC acima dos níveis do final do século XIX. O Japão registrou um aumento de 1,57ºC, enquanto o Reino Unido apontou 1,53ºC. Os cientistas americanos, incluindo a NASA e a NOAA, também preveem a confirmação de 2024 como o ano mais quente já registrado.

Os últimos 10 anos são também os mais quentes da história moderna, provavelmente os mais quentes em 125 mil anos, segundo Samantha Burgess, do Copernicus. Em julho, foi registrado o dia mais quente da história humana, com temperatura média global de 17,16ºC.

Razões para o Aquecimento Recorde

A principal causa desse aumento histórico é o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, resultado da queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás. "Com a continuação da emissão desses gases, as temperaturas, os níveis do mar e o derretimento de geleiras continuarão aumentando", explicou Burgess.

O aquecimento natural causado pelo fenômeno El Niño também contribuiu, embora de forma secundária. Cientistas também destacaram o impacto de uma erupção vulcânica submarina em 2022, que influenciou levemente a atmosfera com a liberação de partículas refletoras e vapor d'água.

Impactos e Prejuízos

Os efeitos das temperaturas recordes foram sentidos globalmente em forma de desastres climáticos. Em 2024, o mundo perdeu US$ 140 bilhões devido a eventos relacionados ao clima, segundo a empresa de seguros Munich Re. Incêndios florestais na Califórnia, inundações na Espanha e furacões como Helene foram sintomas das mudanças climáticas aceleradas.

"Estamos vendo sinais claros de alerta", disse Marshall Shepherd, meteorologista da Universidade da Geórgia. "Esses eventos são apenas parte de uma série de impactos maiores que ainda estão por vir".

Limiar Climático de 1,5ºC

Ultrapassar o limite de 1,5ºC é um marco significativo, definido no Acordo de Paris como o limiar para evitar impactos climáticos catastróficos. Cientistas reforçam que esse aumento representa um alerta sobre o risco de superação permanente do limite. Atualmente, o aquecimento de longo prazo está em 1,3ºC.

"Manter o aquecimento abaixo de 1,5ºC é essencial para salvar os recifes de coral, conter a perda de gelo na Antártida e evitar o sofrimento humano em larga escala", alertou Victor Gensini, cientista da Universidade do Norte de Illinois.

Futuro Incerto

Para 2025, cientistas esperam temperaturas ligeiramente menores devido ao retorno de condições climáticas moderadas. Contudo, especialistas alertam que a tendência de aquecimento global continua. "Estamos enfrentando desafios climáticos para os quais a sociedade não está preparada", afirmou Carlo Buontempo, diretor do Copernicus.
 

A trajetória atual evidencia que o mundo precisa agir com urgência. Jennifer Francis, do Woodwell Climate Research Center, reforça: "Os alarmes estão mais altos do que nunca, e os impactos climáticos agora vão além das temperaturas". 

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